Duarte Caldeira, aluno da ES Sebastião da Gama, ganha medalha de bronze nas Olimpíadas de Matemática

“Ter conquistado a medalha de bronze nas Olimpíadas Portuguesas de Matemática 2019-2020 foi uma sensação muito boa. Senti-me orgulhoso, feliz e ao mesmo tempo surpreendido com o resultado que obtive”, começou por dizer Duarte Caldeira, aluno na Escola Secundária Sebastião da Gama, a O SETUBALENSE, depois de ter representado a cidade de Setúbal no pódio da 38.ª edição do evento, na categoria do 7.° ano.

Quando tomou a decisão de participar, segundo explica o estudante de 13 anos, “não sabia que o concurso seria em âmbito nacional”, pois desde o seu 5.º ano que estava “habituado a participar apenas a nível da escola”. Decidiu, mesmo assim, arriscar, encarando “o nervosismo como uma coisa positiva”. “Resolvi ir pela experiência também porque não perdia nada em fazê-lo”, conta.

Foi, também por considerar que “este evento ajuda a reconhecer jovens que poderão vir a ser bons matemáticos, como ainda os incentiva a trabalharem para tal”. A concorrer consigo estiveram mais 29 estudantes, de um total de 90 participantes, distribuídos entre as categorias Júnior, do 6.º e 7.º anos, A, do 8.º e 9.º anos, e B, do 10.º, 11.º e 12.º anos.

“Embora tenha competido contra tantos jovens”, confessa que “o melhor é tentar evitar pensar no assunto”. “O que costumo fazer é: chego, faço e só depois é que me sinto aliviado, e foi o que aconteceu nas Olimpíadas de Matemática. Encarei um passo de cada vez, ou seja, fui fazer a primeira prova e passei. Fui de novo fazer alguns cálculos e passei novamente, até que fui a Lisboa e consegui a medalha de bronze. Como não é um passo grande, acabo por quase que não dar conta. Só no fim é que pensei que até tinha conseguido um bom lugar”.

Apesar da sua conquista, refere que, por se considerar uma “pessoa tímida”, não contou o seu “resultado a ninguém, a não ser aos pais e à avó”. “Gosto de sentir que fiz bem e que as pessoas me congratulam, mas não gosto de ser o centro das atenções”. Em relação à sua nova medalha, comenta não saber se a vai “colocar na estante do quarto ou emoldurar”. A única garantia que tem é que para o ano vai marcar novamente presença no concurso. “Mesmo que não tivesse alcançado o bronze não deixaria de tentar dar o meu melhor. Pode ser que ganhe a medalha de prata desta vez”.

Interesse pela matemática surgiu no pré-escolar

A frequentar actualmente o 8.º ano no mesmo estabelecimento de ensino, Duarte Caldeira diz sentir, com muita certeza, que a sua “vocação é a matemática”, mas esclarece que o interesse pela disciplina “não surge num dia”. Numa voz tímida, mas assertiva, garante que “é uma área que se desenvolve com trabalho e dedicação”, e que para alcançar o sucesso “é fundamental as pessoas perceberem que esta ciência não é só uma coisa”. “Uma das primeiras memórias que tenho é de estar no pré-escolar e de, quando começámos a dar as adições, ficar feliz porque consegui fazer uma conta de somar sem contar pelos dedos”, recorda.

O seu gosto pela disciplina, segundo afirma, deve-se à sua “professora da escola primária”. “Senti que ela se esforçava para ensinar. Se não entendêssemos de uma forma, ela explicava de outra”, acrescenta. Para o jovem, os docentes “são fundamentais” pois são eles “que criam as bases dos alunos, e se essas bases não forem bem feitas, os estudantes podem ter o interesse mas não vão conseguir ir longe”.

No futuro, revela que se vê “numa profissão como médico ou engenheiro”. “Quero utilizar alguma da minha capacidade para contribuir para o bem-estar das pessoas”, conclui.

Fazer teatro e ler também cativam a sua atenção

Os dias de Duarte Caldeira “são muito preenchidos”, com o jovem de 13 anos sempre a somar gostos e interesses por actividades voltadas também para a cultura, segundo conta. Além da matemática, também vê o teatro como uma das suas grandes paixões, tendo participado “na escola primária e no 5.º e 6.º anos, enquanto frequentava a Escola Básica Barbosa du Bocage, em diversas peças teatrais, no Grupo Estórias e Histórias”. “Adorava fazer as peças de teatro alusivas ao Natal”, recorda.

Aos “hobbies” que tem, como refere, acresce também a natação, actividade que pratica “desde a primária” no Clube Naval Setubalense, o gosto por andar de bicicleta, os trabalhos manuais e a leitura, “andando sempre com um livro ou um e-book na mão”. “São actividades que gosto de fazer não só para ocupar tempo, mas também para vivenciar novas experiências”, explica.

O nosso agradecimento ao O SETUBALENSE pela entrevista ao Duarte.

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